Mochilão gastronômico e social pela América Central

O que te motiva a viajar? Para a Bárbara Fonseca, de 30 anos, e sua companheira de viagem Ana Paula de Oliveira, de 35, ambas jornalistas, poder vivenciar o cotidiano de comunidades e ir além das belezas mostradas em roteiros turísticos estão entre os aspectos mais fascinantes de se pôr os pés na estrada. E foi do desejo de conhecer novas realidades que resolveram percorrer, por quatro meses – entre outubro de 2015 e fevereiro –, um continente ainda pouco explorado pelos brasileiros: a América Central. Leia o relato da Bárbara sobre a aventura da dupla.

 Posso provar? Posso cozinhar?

Cozinheira de Bastimentos que ensinou arroz de coco

 

Por Bárbara Fonseca

Para compartilhar as histórias desta jornada, criamos o blog Posso provar?. Da receita dos patacones saboreados no primeiro dia de viagem às impressões de algumas noites no único bar de uma pequena ilha caribenha, passando pelo dia em que participamos das gravações de um programa de culinária no Panamá, os casos deste sócio-gastro-mochilão pretendem mostrar que os encantos de um lugar, muitas vezes, estão escondidos nos aspectos mais simples do dia a dia local.

Para viabilizar a viagem – economicamente e culturalmente – optamos pelo trabalho voluntário, no qual se troca algumas horas de serviço por hospedagem (ou comida e hospedagem, em alguns casos). O contato com nossos possíveis “empregadores” tem sido feito por meio do site Workaway. Mediante o pagamento de uma taxa anual – que é irrisória, se comparada à economia que se tem com a hospedagem – é possível acessar ofertas de trabalho pelo mundo inteiro. No caso da Nicarágua, contudo, tivemos que usar do boca a boca para encontrar um local para trabalhar. E deu certo.

Durante três semanas, trabalhamos em um hostel às margens do mar do Caribe, na ilha panamenha de Bastimentos. Da cozinha à recepção, fizemos de tudo um pouco: atender aos hóspedes no bar, servir mesas, carregar mochilas e, até mesmo, cozinhar uma moqueca baiana para quase 30 pessoas. Em troca, além de casa, uma refeição diária e desconto de 50% no que consumíamos no bar, tivemos a oportunidade de aperfeiçoar dois novos idiomas e conhecer de perto a vida da população deste pedaço de paraíso.

 Brigadeiros na Costa Rica

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Na Costa Rica, estivemos por dez dias em um hotel em construção na cidade de Puerto Viejo, localizado bem no meio da selva, com o mar a poucos metros de nós. Em nosso “quintal”, recebemos visitas de um bicho-preguiça, de aves multicoloridas, de todo o tipo imaginável de insetos, além de dezenas de macacos com seus urros assustadores (mas inofensivos!).

No país, devido aos altos preços, resolvemos vender brigadeiros. Os doces têm feito bastante sucesso pelas bandas cá. O primeiro e único dia de vendas foi bastante produtivo: bastou somente uma carona, da nossa casa ao povoado mais movimentado, para vendermos todos os exemplares.

 

 

América Central, sua linda!

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Pouco explorada pelos brasileiros, a América Central tem se mostrado um continente riquíssimo. Seja pelas belezas naturais ou pelas tradições (em especial a gastronomia, pela qual temos grande interesse), os locais por onde passamos até agora nos surpreenderam de todas as formas. Jamais iremos nos esquecer, por exemplo, das mágicas cores do mar do Caribe no arquipélago de Bocas del Toro (foto acima), no Panamá.

Ou do desfile de golfinhos, pela manhã, e do plâncton fluorescente, pela madrugada, que nos saltou aos olhos nestas mesmas águas. Impossível apagar da memória as árvores gigantes da Costa Rica, que cercavam as estradas sobre as quais percorríamos longas distâncias montadas na bicicleta. E, ainda, da silhueta do vulcão Concepción, na Nicarágua, em uma noite de lua cheia.

Isso sem falar do sabor e aroma do leite de coco preparado na hora por uma cozinheira de um pequeno restaurante na ilha panamenha (foto abaixo) e, depois, por um amigo de Puerto Viejo, na Costa Rica. Com a rica iguaria, os caribenhos preparam um arroz que já foi eleito por nós como uma das maravilhas do universo. Em nosso paladar também está marcado o ceviche servido no Mercado de Mariscos, na Cidade do Panamá.

O lugar, inclusive, é parada imperdível para quem está de passagem pela capital panamenha. Experimente quantos copos de ceviche conseguir, pois, além de precioso sabor, o preço é tempero a mais: de 1 a 3,50 dólares.

 

Onde houver trabalho (e diversão)

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Pelos próximos meses, seguiremos viagem em direção às ruínas maia da Guatemala, passando por Honduras, El Salvador e Belize. Sem um roteiro definido, iremos para onde conseguirmos trabalho.  A possibilidade de mudar os planos, inclusive, tem sido um dos grandes prazeres da viagem. Já pensamos, por exemplo, em mudarmos a data de regresso e, quem sabe, permanecermos por mais tempo com a mochila nas costas.

Em uma viagem longa como esta, ter um roteiro fechado na cabeça é praticamente impossível. Quando saímos do Brasil, sabíamos apenas de duas coisas: o ponto de onde começaríamos a viagem e até onde queremos ir, que é a Guatemala. No entanto, não viajamos com aquela ânsia de explorar ao máximo cada lugar. Mais do que visitar os pontos turísticos, nos interessa conhecer as pessoas e ampliar nossos laços com as comunidades pelas quais passamos.

Agora, por exemplo, completam 20 dias que estamos na Ilha de Ometepe, na Nicarágua. Chegamos aqui para passarmos apenas três dias. Há uma lenda local que diz que o viajante que experimenta uma determinada espécie de peixe que se encontra por aqui, não se sai mais. Ainda não provamos o dito cujo, mas, ao que parece as águas vulcânicas do Lago Nicarágua, onde a ilha está inserida, também têm ocultos poderes.

Planejamento

Uma viagem requer um mínimo de planejamento financeiro e, por isso, passamos os últimos oito meses antes de embarcar com a meta de economizar o máximo possível. Voltamos para a casa dos nossos pais, que vivem no interior (a família da Ana é de Sete Lagoas e a minha de Caeté). Cortamos as festas, as viagens, as roupas novas.

Ainda assim, todo o dinheiro que economizamos foi reduzido a quatro vezes menos, por causa da alta do dólar. Ao chegarmos, contudo, nos deparamos com muitas pessoas viajando com menos da metade do nosso orçamento. Claro que cada um tem um estilo de viagem, mas o que temos percebido é que não é necessário ter rios de dinheiro para realizar um sonho.

E vamo que vamo!

Bastimentos

Em dois meses de viagem, já fica a certeza de que nunca se é o mesmo quando se sai de sua zona de conforto. Não se desesperar com os imprevistos (como um dedo quebrado logo na terceira semana de viagem!), se despir de qualquer imagem pré-concebida e, jamais, se apegar à primeira impressão são alguns dos ensinamentos que já levamos conosco em nossa bagagem. Cada sorriso, cada tempero descoberto e cada palavra gentil de um desconhecido também completam a mochila, que, para nossa sorte, só cresce a cada dia.

Para viajar conosco, acesse o blog Posso Provar? e a página do facebook.

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