Um ano depois: os dois lados da moeda de um ano sabático

Há exatamente um ano, dia 21 de janeiro de 2014, eu embarcava para a Cidade do México com uma passagem só de ida e muitos sonhos.

A verdade é que eu tinha várias idéias sobre o que poderia acontecer. Me via virando uma consultora em turismo, escritora sobre os lugares que eu conheci, trabalhando em empresas turísticas, e até mesmo retomando a minha vida de servidora pública depois de viajar um tempo. Para mim, poderia acontecer tudo, inclusive nada!

Acho que esse foi meu grande acerto: reduzir as expectativas. Mesmo dando um passo tão grande e revolucionário, pela primeira vez eu não criei um plano completo de tudo que teria que acontecer. Até porque as nossas expectativas, na maioria das vezes, só servem como parâmetro das nossas decepções.

Refúgio de Montanha em Bariloche - Argentina

Refúgio de Montanha em Bariloche - Argentina

Eu me lembro de ter a consciência de que talvez as minhas economias não durariam o ano inteiro, e que  minha aventura poderia acabar um pouco antes. Mas com orgulho posso afirmar que duraram 365 dias, e ainda restou uma margem de segurança.

É muito libertador viver com pouco dinheiro! É perceber na prática o que a gente sabe na teoria: a felicidade não está nas nossas posses, e sim nos nossos momentos. E muitos deles são grátis! Vivendo com 30% do que eu gastava por mês quando morava em Brasília eu me diverti muito mais e, o mais importante, vivendo exatamente a vida que eu queria.

Mas se engana quem pensa que tudo é um mar de rosas. Fui roubada, meu computador estragou quando eu mais precisava dele, perdi dinheiro, tentaram me enganar. Senti decepção, insegurança, medo, raiva.

E nestes 365 dias eu aprendi que o que a gente espera da vida é sentir. Felicidade, tristeza, raiva, ódio, amor. Boas ou ruins, queremos sensações porque elas nos fazem sentir vivos. Até dizem que o contrário da felicidade não é a tristeza, e sim o tédio. Como o contrário do amor não é o ódio, e sim a indiferença. Muito melhor sentir algo, do que não sentir nada!

Reserva Nacional de Paracas - Peru

Reserva Nacional de Paracas - Peru

Olhando para trás eu me sinto com uma responsabilidade muito grande. Eu abri mão de muita coisa! De um emprego estável no serviço público onde eu já tinha direitos acumulados pela antiguidade, do convívio diário com minha família e amigos. A minha vida era boa, muito boa! Se eu quis fazer uma mudança, ela tem que ser para muito melhor, ou pelo menos para uma vida tão boa quanto.

Tendo completado um ano, exatamente o prazo que eu estabeleci como duração dessa aventura, a única certeza que eu tenho é que eu quero seguir vivendo assim. Sem destino fixo, trabalhando pela internet, escrevendo. Posso até ganhar menos do que eu ganhava antes, mas eu quero ser livre. E ver que isso é ainda uma possibilidade em construção, sem nenhuma garantia, é bem assustador.

Botando na balança todos os aprendizados de vida e todos os desafios que eu estou enfrentando um ano depois, posso apenas dizer que não me arrependo. Seguramente esse ano sabático valeu a pena, e vale a pena seguir tentando. E como sempre, quero estar aberta às possibilidades que a vida me trouxer. Sempre fiel ao meu único compromisso: ser feliz!

 

 

10 comentários

  1. Welder Almeida 12 Fevereiro, 2015 at 17:21 Responder

    Olá Ana,
    Que bom ler seu blog, que bom saber de suas aventuras, que bom saber que você está bem e como são emocionantes suas histórias. Dei uma navegada legal no blog, li os textos – interessantes diga-se de passagem – e confesso que é contagiante essa aventura nômade de pé na estrada. Ano sabático é um sonho interessante que um dia espero realizar. Enquanto isso vou apreciando da telinha as aventuras maravilhosas que você e tantos outros relatam de suas viagens. Parabéns, ganhou um leitor.
    Abraço, boa viagem e tudo de bom para você.

  2. Lucélia 3 Março, 2015 at 14:49 Responder

    Sempre muita emoção os textos da Ana. E esse ano sabático tem haver com o retorno de saturno? não sei, o que sei é que fico muito feliz por vc. Esse turbilhão de emoções é um combustível potente para seguir a vida com qualidade. Parabéns Ana, vc é o máximo!

  3. Lena Reis 18 Março, 2015 at 09:09 Responder

    Bom dia, Ana Beatriz,
    Olha, eu não me julgo competente o suficiente para julgar qualquer aspecto funcional e midiático do seu blog. Talvez eu aumentasse a logo, mas isso é realmente um mero detalhe diante da lindeza do seu texto e do quanto a sua escrita tem a capacidade de emocionar. Li o texto pré-partida e li o texto “um ano se passou” e enxerguei verdade, busca, e talvez ainda uma certa pureza que apenas as pessoas muito jovens mantém. Parabéns, menina! Vou visitar muitas e muitas vezes isso aqui.
    Com carinho,
    Lena Reis
    = Viajando no Blog =

    • anabeatriz 18 Março, 2015 at 10:53 Responder

      Oi Lena! Obrigada pelo retorno e pelas palavras! Muito bom ouvir isso!
      Vou lá conhecer o Viajando no Blog também!
      Beijo!
      Ana.

  4. Ricardo Augusto 25 outubro, 2015 at 00:36 Responder

    Ler seu texto me causou várias sensações, alegria e vontade enorme em fazer algo assim, e também um frio na barriga e algumas incertezas, viajar é viver, e essa vida, de encarar o desconhecido e acumular milhões de histórias para contar que eu quero! Estou de saco cheio da rotina, das desilusões, quero poder ser feliz comigo mesmo e onde estiver, quero sumir e percorrer o mundo, sair com uma passagem só de ida é pra mim sinônimo de felicidade e sucesso! Gostaria de poder conhecer mais sobre suas histórias. Ano que vem é minha vez de cair no mundo, voltar um ano depois, talvez só pra dar uma visitinha e sumir de novo, não sei, são tantas as possibilidades, os lugares… Um beijo. Ricardo

    • Ana Beatriz 26 outubro, 2015 at 05:11 Responder

      Oi Ricardo! Entendo totalmente o que você sente, era exatamente assim que eu me sentia nos meses anteriores à viagem. Foi um encontro comigo mesma e com o melhor de cada pessoa que cruzou meu caminho! Vamos conversar! Me escreve um email e quem sabe eu te ajudo a organizar a sua viagem!
      Grande abraço, tudo de bom!

Deixe uma resposta