Três coisas que eu aprendi pedindo demissão para viajar

Faz pouco mais de um mês que eu pedi demissão do meu trabalho e vim para o México. Eu não sei se eu vou passar um semestre aqui, se estou dando a volta ao mundo, ou se vou imigrar para outro país. Só sei que fico dois meses na ilha de Cozumel e que não faço idéia do que farei depois.

É a primeira vez que eu faço alguma coisa parecida com isso na minha vida. Para quem sempre foi servidora pública e sabia exatamente onde estaria e até quanto ganharia nos próximos 3 anos, não saber onde estarei daqui 30 dias é bem radical.

O que eu mais escutei quando anunciei meus planos é que eu sou corajosa, e que estou fazendo algo que muita gente quer fazer mas tem medo. Interessante, porque a coisa que eu mais sinto é medo. Medo de escuro, medo de altura, medo de mergulhar, medo de ser levada pela correnteza no mar, medo de ser violentada nas ruas de um país estranho, medo de tudo! (Até de fantasmas hehehe)

E a primeira lição que eu tiro de isso tudo é que ser corajosa não é a ausência de sentir medo, e sim de não deixar que ele o impeça de fazer as coisas que você quer. É na Hora H sentir frio na barriga, sentir as pernas tremendo, ter vontade de chorar, e mesmo assim dizer: eu vou!

Coragem não é ausência de medo

Foi assim no dia de contar aos meus chefes a minha decisão, no dia de entregar os papéis no RH, e no dia de embarcar no avião. E para ser sincera eu ainda sinto um montão de medo aqui. Sinto medo de o dinheiro acabar e eu ter que voltar antes do planejado, medo de não conseguir um bom trabalho. Mas a cada dia que eu continuo a viagem é uma nova superação.

El Mirador - Isla Cozumel

El Mirador - Isla Cozumel

Mas eu não viajei apenas para desafiar meus medos. Eu também viajei para fazer algo diferente. Eu me formei aos 21 anos e consegui o trabalho dos meus sonhos. Talvez o que eu pensava que ia conseguir ao fim da minha carreira, mas foi meu primeiro emprego. Fiquei lá por quase 8 anos, acredito que aproveitei ao máximo as oportunidades que ele me proporcionou.

Acontece que quando realizamos nossos desejos, começamos a desejar outras coisas. E isso não significa que somos constantemente insatisfeitos e infelizes. Significa que estamos vivos e que queremos aproveitar  tudo que a vida puder oferecer.

Querer algo diferente não é ser eternamente insatisfeito

Com mil possibilidades profissionais, milhões de coisas novas para aprender todos os dias, não tinha porque ficar presa ao trabalho que eu desejei mais de sete anos atrás. Quando eu tiver 80 anos, quero olhar para trás e ver que minha vida foi cheia de aventuras, mudanças, aprendizados. Quero ter vivido mil vidas, ter me reinventado várias vezes.

O meu atual desejo é conhecer o mundo, ter uma experiência de convivência prolongada em outros países. Quero uma viagem diferente das que eu costumava fazer nas férias.

Novos amigos no transporte público da Cidade do México (foto: Taner Palácio)

Novos amigos no transporte público da Cidade do México (foto: Taner Palácio)

Mas eu não sei dizer o que a minha viagem é, o que ela é está sendo desenhado enquanto eu estou aqui. E "aqui" significa a jornada, a viagem, o não planejado. E se você acha que não conseguiria viver assim, saiba que até 3 meses atrás eu queria controlar até o que as pessoas pensavam.

Mas eu não posso reclamar. Tenho que admitir que essa ausência de planos tem aberto muitas portas, que talvez valham a pena apesar das ocasionais crises de ansiedade (hehehehe).

Ao não ter planos várias coisas acontecem

Meu objetivo com este texto não é provar que todos deveriam pedir demissão e viajar amanhã para nunca mais sentir frustração, medo, tédio, ou algo do tipo. Essas coisas fazem parte da nossa natureza, e temos que saber controlá-las para que elas não nos controlem.

Mas talvez tenha alguma outra coisa que você queira fazer da vida. Por mais improvável e impossível que ela pareça, acho que vale a pena levar a sério o pensamento. Quem sabe o que o futuro reserva, certo? A vida é muito curta para gastarmos tempo fazendo o que não queremos, e muito longa para nos acomodarmos na primeira conquista.

Abraços para todos!

Mais sobre meu período sabático:

Nova fase em minha aventura: um ano em Cusco!

Mais sobre minha viagem ao México:

A Casa Azul - Museu da Frida Kahlo

Como é o Carnaval de Cozumel?

47 comentários

  1. Bruna Zampieri 6 março, 2014 at 09:47 Responder

    Ótimo texto! Viajar realmente ensina muitas coisas que jamais aprenderíamos ficando em casa, ou que levaríamos muito tempo para compreender. A questão do dinheiro também me assusta, se tiver, gasto mais do que o necessário, se não tiver, não poderei aproveitar a viagem. Mas acho que isso melhora com o tempo, com planejamento, experiência, amadurecimento também. Coisas que também aprendemos mais rápido quando viajamos.

    • planejoviajar 6 março, 2014 at 11:40 Responder

      É verdade, Bruna! Quanto mais a gente viaja, mais maduro a gente fica, para aproveitar melhor as próximas. Sobre grana eu estou aprendendo a me organizar, anotando cada centavo que eu gasto, coisa que eu nunca tinha feito antes. Vou ver se em breve eu posto sobre meu controle financeiro por aqui!
      Beijo! Obrigada por sempre visitar o blog e deixar comentários!

  2. Lucélia 6 março, 2014 at 11:52 Responder

    Que fala linda Ana, a última frase então, fechou com chave de ouro. Fez-me lembrar de uma música (pra variar, sempre música) que o Marcos disse uma vez que é a minha cara -Miedo, Lenine-
    ” O medo é uma sombra que o temor não desvia
    O medo é uma armadilha que pegou o amor
    O medo é uma chave, que apagou a vida
    O medo é uma brecha que fez crescer a dor”

    Parabéns Ana!

  3. Eliseu Alves Maciel 6 março, 2014 at 13:27 Responder

    Ana, linda e inspiradora as suas palavras. Que VC possa ir cada vez mais longe e assim bos contar sempre um pouco do que viu pelo mundo afora. Sucesso sempre…divirta-se.

  4. karenfurlanbasso 6 março, 2014 at 15:15 Responder

    Anaaa!!!! Meu desejo continua sendo o mesmo. Conhecer o mundo e vivenciar novas experiências com diferentes destinos, culturas, pessoas, lugares…. Mas meu desafio atualmente é me manter numa rotina. Não irei me acomodar, mas tenho algo a aprender – estou levando a sério esse pensamento! hahaha Seu texto disse tudo, minha amiga. Orgulho de sua caminhada. Continue atualizando-nos, sempre que puder.
    Beijos e mais beijos!
    Karen

  5. karenfurlanbasso 6 março, 2014 at 15:16 Responder

    Anaaa!!!! Meu desejo continua sendo o mesmo. Conhecer o mundo e vivenciar novas experiências com diferentes destinos, culturas, pessoas, lugares…. Mas meu desafio atualmente é me manter numa rotina. Não irei me acomodar, mas tenho algo a aprender – estou levando a sério esse pensamento! hahaha Seu texto disse tudo, minha amiga. Orgulho de sua caminhada. Continue atualizando-nos, sempre que puder.
    Beijos e mais beijos!
    Karen

  6. Debora 6 março, 2014 at 21:04 Responder

    Realmente é o que sinto. Dei asas à minha liberdade há quase um mês. Embarco para Irlanda em maio. Dá um frio na barriga, mas é a primeira vez que faço algo grandioso para o meu conhecimento de vida. E vamos lá!!! Beijos!!

  7. Taner Palácio 7 março, 2014 at 02:40 Responder

    Olha! até que eu fotografei direitinho!! Realmente teu relato serve de inspiração, como tu falou, ‘não que todo mundo deva pedir demissão e viajar’, mas sair da rotina é muito bom, te da um novo folego, o aprendizado que se pode ter abre o teu horizonte e fica para a vida toda, tu ti enriquece como pessoa e ganha coragem para ir sempre um pouco mais além, o medo sempre vai estar ali, oque é muito bom, afinal também significa ter cautela e respeito.
    Como eu disse no inicio, serve de inspiração, quem sabe eu não faça uma “Doideira Boa” parecida em um futuro próximo!
    ah! o Blog esta ótimo, to sempre ligado!
    e concluindo, já ouviu falar no Monte Roraima? Eu ouvi, e to muito a fim!

    Bejão Ana.

    ps: e to vendo a situação para o aparados da serra.

    • planejoviajar 7 março, 2014 at 12:01 Responder

      Oi Taner, você viu que eu dou os créditos fotográficos né? hehehe

      Já ouvi falar no Monte Roraima sim, foi uma das minhas possibilidades para começar a viagem, antes de eu me apaixonar pelo México! heheh

      Quando for a Aparados da Serra, escreve um relato para eu publicar aqui no blog!

      Beijo!!!

  8. vitor 7 março, 2014 at 14:57 Responder

    Que tenha uma boa viagem! Seu relato é mais um relato que sempre me lembra o On The Road do Jack Kerouac. Acho que era exatamente isso que ele queria passar com o seu livro. A vida é a estrada, as experiências. Não fique parado em apenas um ponto, pois existe uma estrada infinita à sua frente. Então, caminhe! Filho.

  9. sthefania 7 março, 2014 at 15:58 Responder

    Como deve ser bom não querer controlar o que as pessoas pensam e principalmente não se incomodar com elas… Também quero ser livre, Ana. Mas não consigo. Um Beijo, boa sorte.

  10. Jamara 12 março, 2014 at 17:49 Responder

    Poutz! Peraí que eu vou alí pedir a minha, hehehe…
    Vou carregar comigo que ser corajoso é chorar de medo, mas tomar a decisão de ir assim mesmo, rs.
    Abraço, Ana.

  11. Cinthia Marques 5 abril, 2014 at 17:12 Responder

    Ana,
    Me identifiquei super com seu texto! A parte de ter conseguido o emprego dos sonhos muito cedo e a inquietação de querer conhecer o mundo poderia ter sido escrita por mim com ctza! rs
    Fico feliz por vc estar bem! E agora que achei seu blog, vou acompanhar sempre! Sucesso, querida!

  12. Georthon Branquinho 11 abril, 2014 at 23:13 Responder

    Oi Ana!!!
    Essa sua viagem, sem dúvida alguma, será A Viagem para um autoconhecimento…
    Vai registrando tudo aí, pois depois precisará escrever um livro sobre a experiência que será obtida durante esse período. Será um tesouro a ser compartilhado.
    Boa Viagem!!!!!!!!

    • planejoviajar 11 abril, 2014 at 23:15 Responder

      Oi Georthon! Sim, com certeza a maior viagem está sendo dentro da minha cabeça, descobrindo em cada esquina algo novo sobre mim!
      Obrigada pela visita! Estou aguardando o relato que você prometeu para o blog! Abraço!

  13. Pedro Spinassé 19 maio, 2014 at 13:31 Responder

    Oi Ana, boa tarde moça, Tudo bem?
    Vim parar no seu blog através do seu titulo deste post.
    Joguei no Google, “…o que aprendo com um pedido de demissão..”
    e aqui estou eu, lendo seu relato.
    Em novembro estou largando tudo, vendi o carro, todos os meus moveis, vou alugar minha casa e partindo para uma boa jornada pelo mundo,antes disso fico alguns meses na casa de parentes na florida.
    Me identifiquei bastante com os seus pensamentos relatados no texto,
    Minha mãe, a pessoa que mais me apoia nisso tudo, me chamou de louco por varias vezes quando expus a ideia, mas depois de algumas boa horas de conversas ela me entendeu perfeitamente.
    Como você mesmo disse no texto, ‘…Querer algo diferente não é ser eternamente insatisfeito…’
    Tenho um bom emprego, casa própria, tinha carro do ano, e mesmo assim sei que a vida tem muito mais que isso a me oferecer, e como sempre falo la vamos nós…

    Não sou de acompanhar blogs mas senti aqui uma boa vontade de compartilhar tudo isso!!
    Boa sorte ai na sua viagem, e que tudo possa ocorrer como você tentou planejar, rs!!
    Beijão e parabéns pela coragem!! Boa viajem!!

    • planejoviajar 22 maio, 2014 at 11:55 Responder

      Olá Pedro!!! Obrigada pelo apoio! No início os pais se preocupam mesmo, mas logo nos entendem e nos apoiam. Comigo também foi assim!
      Boa sorte na sua viagem também! As lições são novas a cada dia, e a maior viagem é interna, de auto-conhecimento.
      Uma coisa que está em todos os relatos que eu li é que a gente aprende que precisa de muito pouco para ser feliz. Realmente, nos ultimos meses, com uma pequena mochila (que poderia ser menor) tenho tudo o que preciso!
      Abraço!

  14. Carol 19 maio, 2016 at 14:42 Responder

    Olá!! Atualmente tenho 17 anos e você não imagina o quanto fico feliz e inspirada de ler depoimentos igual esse seu. Às vezes, ainda mais na minha idade, na iminência do vestibular e da escolha profissional e tudo mais, parece que o futuro tem que ser duro e árduo e super encaixado num planejamento detalhado. Mas aí eu leio coisas igual essa sua experiência e “lembro” que não é bem assim. Que, no fundo, quem tem o poder de escolha do meu destino sou eu, e que o mundo tem cada coisa maravilhosa por aí. Então eu só queria te agradecer por ser esse exemplo e falar o tanto que admiro e acho sensacional isso que você fez 🙂
    Boa sorte com tudo!

    • Ana Beatriz 24 maio, 2016 at 17:56 Responder

      Oi Carol! Que palavras tão carinhosas! Obrigada!
      Sim, as novas gerações estão se livrando cada vez mais da fórmula: formar, trabalhar, casar, ter filhos e morrer. Cada vez mais queremos ousar, investir em viagens, empreender, reiniciar. E isso é bom!

      Tudo de bom nesta nova fase, a universidade é um momento muito bacana e de muitas experiências! Curte bastante e aproveita todas as oportunidades que aparecerem!

      Abraço!
      Ana.

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