Paris, vai ou fica?

Hoje faz uma semana da série de atentados que levaram o terror a Paris e o medo a vários países da Europa. Nessa situação, você vai ou fica? Damos uma ajudinha para você decidir.

Não só pelo que aconteceu, mas por conta das ameaças do Estado Islâmico de continuar o banho de sangue ou perpetrar ataques com armas químicas, muita gente está com medo de manter os planos de viagem em direção à região.  É gente que está com passagens ou pacotes comprados para os próximos dias ou meses para Paris ou outros países europeus que estão no epicentro de ameaças, exemplo de Madri (Espanha) e Roma e Milão (Itália), que elevaram seu risco de ataques terroristas para o nível 4 (o maior é 5).

Por outro lado, falta apenas o Senado francês aprovar o Estado de Emergência até o final de fevereiro, que dá às autoridades de segurança o direito de fazer revistas sem mandado, interditar espaços públicos, fechar bares, casas de shows, fazer batidas dia e noite (até agora foram 400 batidas). Tudo indica que sim, será aprovado. Por isso, o Consulado do Brasil em Paris recomenda aos brasileiros que estão lá ou vão para a França que carreguem consigo os documentos originais, mas com muito cuidado para não serem roubados.

Muitos monumentos e museus foram reabertos, a exemplo do Castelo de Versailles, a Disneylândia de Paris, Museu do Louvre, etc. E estão começando os famosos mercados de Natal. Leia neste post o que está funcionando e se oriente.

Na dúvida, pesquise!

Existem aqueles turistas que vão manter os planos, como o Ítalo Porto, advogado de 22 anos de Fortaleza, que pretende passar o Natal em Paris e o Réveillon em Londres, com um grupo de 11 pessoas, o mais novo de 5 anos e o mais velho de 70 anos. Porém, dentro do próprio grupo há desistentes. "O que estamos fazendo é entrar em contato com pessoas que, por exemplo, viveram por este tipo de experiência, como no 11 de setembro em Nova York, e elas nos relatam que a segurança aumentou e não houve mais ataques.

Tem gente super em dúvida como o casal Tereza Gontijo e Anderson Spada, que pretende passar o fim de ano em Paris, esticando para Portugal. "Vamos acompanhar os acontecimentos para tomar uma decisão", disse Tereza, preferindo não se beneficiar de eventual não-pagamento de taxa de cancelamento de passagem. Não foi o caso de uma cliente de Ana Lúcia Mota, da ALM Viagens e Turismo, agência de Belo Horizonte, que estava de viagem marcada para março e a mãe desistiu de Paris, preferindo partir para o Caribe.

Depoimentos

rafaelincao

 

Já estive em Paris e está longe de ser a minha cidade preferida da Europa. Só iria pra lá se tivesse aparecido uma passagem incrível. No Brasil o índice de violência é altíssimo, mesmo sem ataques terroristas, ainda me sentiria mais seguro em Paris ou em qualquer outra capital europeia do que em São Paulo ou Rio de Janeiro por exemplo. O mais parecido com isso que já vivi foi ainda esse ano, quando estava em Bangkok, Tailândia, no mesmo dia do ataque terrorista que aconteceu por lá. Saí da cidade às 11h e o ataque se deu por volta das 19h.

Rafael Incao, criador do Fórmula de Passagens do blog Viajantes Aprendizes

 

paulatrivelli

 

Conheço Paris, ja fui lá umas três  ou 4 vezes. Si tivesse passagens compradas essa semana, talvez mudaria, porque muita coisa está fechada. Se for para algumas semanas, três ou quatro a mais para frente, não mudaria. Não tomaria nenhum cuidado...Acho que toda viagem tem un risco, e nãos pode deixar que esas coisas te paralizem... Se pensar nos preços, seguramente estarão mas convenientes agora... Acho que aproveitaria isso.

Paula Trivelli, chilena, licenciada em História, 41 anos

 

 

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Estive em Paris em outubro do ano passado para cozinhar no evento Brazil, Fashion and Food.  Sempre tiro pelo menos 1um dia para passear em cada viagem a trabalho. Fui a restaurantes, claro, ao L'Atelier de Joel Robuchon, La Cantine de Troquet e ao Dupleix (amei estes dois). Fui à Sacre Coeur, às Catacombes, à Praca da Concórdia. Iria de qualquer forma, pois penso que nada acontece se não estiver na nossa hora. Só evitaria locais com grande concentração de pessoas.

Mônica Rangel, chef, proprietária do Restaurante Gosto com Gosto, em Visconde de Mauá e jurada do programa Cozinheiros em Ação, do canal GNT.

Vigilância redobrada

A França é o primeiro país europeu na lista dos preferidos dos brasileiros. Segundo o Atout France, 660 mil brazucas seguem para lá por ano e Paris representa 85% deste público, ou 561 mil pessoas. A maioria se hospeda em hotéis de três e quatro estrelas e visita os pontos turísticos tradicionais.

Se, num primeiro momento, tudo fechou as portas, museus, restaurantes, cafés, etc, aos poucos os locais turísticos recomeçam a receber visitantes, porém, com vigilância redobrada, o que gera filas mais extensa e maior espera para entrar  nos ícones como Torre Eiffel e Museu do Louvre. Há policiais armados e até à paisana armados por todos os lados, bem como contingentes do Exército, o que é bastante estranho até para os parisienses.

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Soldados armados do Exército fazem policiamento ostensivo sob os arcos da Torre Eiffel (www.smh.com.au/reprodução)

Rotina alterada

O diretor para as Américas da Atout France, Jean-Philipe Perol acredita é tranquilo passar o Réveillon em Paris, pois a cidade vai voltar ao seu cotidinao, como seu brilho e glamour de sempre. Mas ele admitiu que houve desistências no final de semana seguinte aos atentados, impacto que deverá durar nas próximas semanas no turismo, que representa 10% da economia parisiense.

A proprietária do Conexão Paris, site especializado na Cidade-Luz, Lina Hauteville, afirma que não tem medo de abrir a porta de casa e caminhar pelas ruas de Paris. "Nunca caminho pelas ruas no Brasil. Vou de um ponto a outro de carro com vidros fechados", ressalta ela. Como o site é especializado muita gente envia suas dúvidas desde que ocorreu os atentados, na última sexta-feira. "Digo aos leitores que eles devem tomar decisões sozinhos. Mas a verdade é que o mundo todo está violento."

No dia em que marcamos uma entrevista pelo Skype, 16 de novembro, Lina se desculpou e, por e-mail, me respondeu que a situação estava confusa porque houve falso alerta de carro com bomba na Opera Garnier, a dois passos de onde ela mora. "A área foi invadida pela polícia. Todos nós descemos e ficamos nos limites impostos pela polícia, tentando entender o que estava acontecendo. Nestes momentos difíceis, os loucos agem por prazer. Um louco fez uma denúncia furada e gerou pânico no bairro. Ontem também, vi muitos carros de polícia no bairro."

Quem mantiver a viagem tem que saber que poderá trombar com este tipo de transtorno, nada que não possa ser contornado. A Lina diz que está havendo, sim, pessoas desmarcando viagens para o réveillon em Paris. A opção que damos, segundo ela, o restaurante Alcazar, no Quartier Latin é tranquilo por ser um endereço fora do circuito turístico e discreto. "O que não aconselharia é aglomerações em torno da Torre Eiffel ou Champs Élysées", alerta ela.

O que está aberto

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Frequentar cafés faz parte do modo de viver dos parisienses. Campanha incentiva franceses a retomar o hábito diário

 

Atrações culturais

Torre Eiffel

Museu do Louvre (fechado todas as terças-feiras)

Castelo de Versailles

Filarmônica de Paris

Grand Palais

Centro Georges Pompidou

Outras atrações

Lido de Paris

Crazy Horse

Bateaus Parisiens

Moulin Rouge

Disneyland Paris

Zoológico de Vincennes

Aquário de Paris

Feira de Natal da Avenida Champs Élysées

Roda Gigante da Praça Concorde

Compras

Os “Grands Magasins” e grandes centros comerciais parisienses. 

Transportes

Controles sistemáticos estão sendo realizados nos pontos de entrada dos territórios franceses nos pontos de passagem rodoviárias, ferroviárias, marítimas e aeroportuárias. 

Avião

Os aeroportos de Paris funcionam normalmente. Todas as conexões aéreas, nacionais e internacionais, funcionam normalmente. As medidas de segurança para os embarques foram reforçadas, incluindo vistoria e controle de passaportes. Porém, é bom chegar mais cedo (normalmente se pede de duas a três horas, melhor colocar pelo menos umas quatro horas de antecedência, calculando principalmente as conexões)

Trem

Trafego ferroviário SNCF (Serviço Nacional de Linhas Férreas) funcionando normalmente para a linhas nacionais e internacionais. Prever mais tempo os acessos às linhas internacionais.

Metrô e ônibus em Paris

Controles sistemáticos estão sendo realizados nos pontos de entrada dos territórios franceses nos pontos de passagem rodoviárias, ferroviárias, marítimas e aeroportuárias. 

Telefone de emergência para os turistas: +33 (0)1 45 50 34 60

 

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