O terror segue o turista? Para onde correr?

É inegável: os radicais islâmicos reunidos sob a bandeira do ISIS ou EL ou Daesh, seja o que for, estão tocando o terror. Esta semana foi a vez de Istambul, na Turquia e Jacarta, na Indonésia. E o alvo é a comunidade internacional, especialmente daqueles países da coalização que os combate. Na verdade, sobra pra todo mundo. Fica a pergunta: o terror segue o turista? Não dá para negar: com as nossas mortes, os radicais, acuados e desmantelados por vários ataques à Síria principalmente depois de Paris, conseguem continuar passando seu recado ao mundo. Pensando nisso, tem para onde correr?

Ontem, em Jacarta, capital da Indonésia, novo ataque a tiros e explosões próximo a um shopping center, embaixadas, e escritório das Nações Unidas e em frente ao café Starbucks. Sete mortos. No último dia 12, Istambul, capital turística da Turquia, foi alvo de um homem-bomba que causou a morte de 10 pessoas no bairro de Sultanahmet, nove alemães e um peruano.

Sem falar no ataque de Ancara, capital turca, com mais de 100 mortos, em Bali, na própria Indonésia e em outros, que acabam não ganhando a mesma repercussão que Paris, onde em novembro, 130 pessoas foram mortas.

Dá o que pensar, não? Análises no noticiário internacional apontam que os ataques ontem em Jacarta seguiram o modelo de Paris. Fato que é o Starbucks é procurado por muitos viajantes que não se importam de tomar um café de gosto às vezes duvidoso em troca de poder conectar celulares e laptops.

Sim, tem pra onde correr! As Américas Central e do Sul são um destino hoje bem mais tranquilo que Europa, por exemplo. O Brasil, bem o Brasil também, embora haja muitas dúvidas sobre a efetividade da segurança no Rio de Janeiro, durante as Olimpíadas.

Mas será o caso de desistir? Quando houve o atentado em Paris, muitos viajantes ficaram em dúvida sobre manter os planos. Quem foi não se arrependeu. A cidade está superpoliciada e até o clima ajudou. Apesar do frio, dias lindíssimos, solares, acompanharam os visitantes.

O Planejo Viajar resolveu ouvir as experiências de três pessoas que visitaram Istambul nos últimos anos. Leiam a seguir.

José Antônio Ramalho e sua bike, em frente à Santa Sofia (Foto: José Antônio Ramalho)

“Se eu pudesse estaria lá amanhã”

José Antônio Ramalho, globetrotter, fotógrafo, biker e especialista em tecnologia

Meu lugar especial

Frequentemente me perguntam, tendo visitado muitos locais ao redor do mundo, em qual lugar voltaria. Istambul está sempre no topo da lista. A cidade é um local emblemático para várias culturas e religiões, um dos lugares com maior tolerância às diferenças, e muito, muito bonita do ponto de vista da arquitetura.

Considero Istambul, onde já estive seis vezes, um lugar especial também porque lá foi o final de uma viagem de bicicleta de 3,2 mil quilômetros, que começou em Paris, seguindo a rota do trem Expresso do Oriente. A viagem terminou exatamente no local onde ocorreu o atentado, na praça que une a Mesquita Azul à Igreja de Santa Sofia.

Quem está programando viagem para lá deve manter, pois locais que são alvo desse tipo de violência se tornam extremamente seguros nas semanas seguintes.

Embora um ataque terrorista como esse vise atingir uma fonte importante de renda no país, o turismo, “nós somos mais fortes que eles e não podemos deixar de viajar com medo de atentados”.

* Ramalho está no Facebook como RAMALHOESCRITOR

 

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Nossa viajante emoldurada pelos famosos mosaicos turcos (Foto: Ana Elizabeth Diniz)

Eu não deixaria de retornar à Istambul, Paris ou Mumbai, palcos de outros ataques terroristas

Ana Elizabeth Diniz, jornalista

Retorno ao passado

Istambul, a antiga Bizâncio e Constantinopla exala história em todos monumentos, mesquitas, praças e ruas. O patriotismo do povo é pujante. A bandeira nacional está estendida nas casas, apartamentos e comércios.

O distrito de Sultanahmet, alvo do atentado com o homem-bomba, é considerado o centro histórico de Istambul, a área mais antiga da cidade, destino de centenas de turistas que por ali se espalham, estupefatos com tanta história preservada, beleza arquitetônica e um festival de tulipas de todas as cores e matizes. Há quem pense que essa magnífica flor tem origem na Holanda, mas de fato a sua origem é turca.

Ir a Istambul sem visitar a Mesquita Azul, também conhecida como Mesquita Sultão Ahmet, é como ir à Itália e não conhecer Roma. Ela tem seis minaretes altíssimos e inúmeras cúpulas. Fora das horas sagradas das orações é possível visitar o seu interior, adornado por mosaicos nos quais o azul predomina.

As mulheres devem cobrir os cabelos. Saias, vestidos, bermudas e calças apertadas não são permitidas. É preciso se cobrir com um tecido grosso azul e também tirar os sapatos.

Um jardim a separa da Basílica de Santa Sofia, que já foi a maior igreja católica do Império Bizantino, depois transformada em mesquita e atualmente é um símbolo da cidade e uma das atrações turísticas mais visitadas da Turquia.

Mas nesse pedaço há ainda muito mais para se ver, como as dezenas de cisternas,do período do Império Bizantino. No seu interior existem duas colunas enigmáticas, com a base em forma de cabeça de medusa em posições diferentes. Não se sabe o significado dessas cabeças, mas elas são uma atração.

Na parte mais alta da praça, atrás da Basílica de Santa Sofia está o Palácio Topkapi, que durante séculos serviu como residência para sultões e atualmente é um museu. Vários ambientes do palácio estão abertos para visitação e neles estão expostos diversos objetos da época dos sultões, como louças de porcelana chinesa, joias do tesouro imperial, vestimentas oficiais, carruagens, armas, entre outros objetos.

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Palácio Topkapi, cama do sultão (Foto: Ana Elizabeth Diniz)

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Estreito de Bósforo (Ana Elizabeth Diniz)

 

De um dos pátios se tem uma bela vista panorâmica do Estreito de Bósforo, dividindo os continentes asiático e europeu. Mas o mais interessante é o harém do palácio, local que servia como residência para a família imperial, um local onde o Sultão podia ficar mais à vontade com suas esposas e suas concubinas, mulheres que serviam apenas para satisfazer os prazeres do sultão.

É nesse cenário que aconteceu o atentado terrorista no último dia 12 de janeiro, com 10 mortes e 15 feridos. Onde turistas do mundo inteiro se misturam com a população. Onde mulheres de burca transitam deixando apenas seus olhos à vista. Onde em cada esquina se vê vendedores de kebab, de louça turca e toda sorte de souvenir. Onde as pessoas caminham perplexas com tanta beleza, opulência e história para ser contada.

 

"Passando essa fase, vale muito a pena pensar numa viagem pra lá"

Edulce Maria do Vale Costa Reis, proprietária da agência Mundial Tour, da cidade de Leopoldina, Zona da Mata (MG)

Lamento demais o atentado. Estive lá há dois anos com um grupo de turistas. É uma cidade linda, uma das coisas que mais amei foram seus jardins de tulipas. O passeio no Canal de Bósforo é muito bonito. Para esse ano ainda não montei nenhum pacote para a Europa, por causa da alta do dólar e da insegurança. Numa situação como essa que vimos esta semana os responsáveis pelos turistas procuram logo entrar em cena, tirando as pessoas de perto, dando apoio e infraestrutura.

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Canteiro de tulipas (Foto: Ana Elizabeth Diniz)

 

 

 

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