Observação de baleias: fizemos o teste

Uma das atrações da baixa temporada no litoral brasileiro é a observação de baleias, ou whalewatching, tipo de turismo de observação que desperta cada vez mais a atenção dos turistas. Fizemos o teste de um passeio na região do Sul da Bahia, onde aparecem as baleias-jubarte. Na região Sul do país são as baleias-francas.

Embarquei em uma lancha pertencente ao hotel onde estava hospedada, o Arraial d´Ajuda Eco Resort, em Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro, Sul da Bahia. Veja como foi.

Baleias na mira

Há vários passeios sendo operados por empresas especializadas a partir de Porto Seguro, Cumuruxatiba, Prado e Caravelas (para Abrolhos), Praia do Forte, Morro do São Paulo, na Bahia.

No Sul do País, os municípios onde as avistagens são mais frequentes são Garopaba, Imbituba e região, a cerca de 100 quilômetros de Florianópolis pela BR-101.

Já tinha tentado algumas vezes “pegar uma baleia em flagrante” mas ainda não tinha dado certo. Inclusive no litoral de Santa Catarina, fiquei nove dias atrás de uma, “uminha sequer” baleia-franca e a única que vi, coitada, estava encalhada num banco de areia no município de Laguna. Mas enfim, alguns anos depois, consegui vê-las no litoral baiano.

Este ano, elas já estão dando o ar da graça nas duas regiões do país. De acordo com o Instituto Chico Mendes 15 mil baleias virão ao litoral brasileiro. As baleias-jubarte, no Sul da Bahia, são em maior número. Elas também costumam aparecer no litoral de Pernambuco, em Fernando de Noronha.

Jubartes e francas fogem do frio da Antártida e encontram nas águas cálidas do Hemisfério Sul o ambiente propício para se acasalar, dar à luz e alimentar os filhotes. Elas ficam de julho a novembro nestas funções por aqui. E, claro, dão um verdadeiro espetáculo para quem tem a sorte de vê-las. 

ENCONTRO COM AS GRANDONAS

Baleia Jubarte no Sul da Bahia. Foto: Marlyana Tavares

Baleia jubarte no Sul da Bahia. Deixe a câmara no modo múltiplos disparos (Foto: Marlyana Tavares)

A expectativa é total ao sair para um passeio desse tipo. A gente nunca sabe se conseguirá ver um destes bichões. Voltar para a terra de “olhos abanando” é uma decepção. Depois de algumas tentativas confesso que, dessa vez, fui meio neutra. Navegamos cerca de uma hora mar adentro e já estávamos desanimando quando ela apareceu bem do lado da lancha. UAU!

E a surpresa: estava acompanhada de um filhote. O enorme cetáceo fez várias evoluções, enquanto o condutor da lancha habilmente nos mantinha a salvo de suas rabanadas.

Primeiro vem o jato de água que ela expira e logo o cetáceo aparece, gigantesco.

Não senti medo, mas fiquei nervosa porque não tinha deixado a câmera do modo múltiplas fotos, aquele que faz disparos seguidos. Mas até que deu para pegar uns “takes” bons.

A jubarte e o filhote ficaram por ali perto durante uns 15 minutos, mais ou menos. Finda a curiosidade sobre nós, mãe e filho (a) seguiram tranquilos o seu caminho.

RECUPERAÇÃO

Sou amante inveterada da natureza, por isso ver esses bichões fazendo suas evoluções é motivo de muita satisfação. Pensar que no passado elas quase foram extintas… Entre os séculos 19 e 20 foram mortas em massa para extração de carne, gordura, óleo, barbatana e ossos. Muitas construções antigas foram erguidas com óleo de baleia no lugar de cimento.

Graças a Deus, por causa de programas de monitoramento e proteção, hoje a jubarte já saiu da Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção e é considerada Quase Ameaçada, de acordo com as categorias da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Em Prado, no Sul da Bahia, o guia de turismo Luiz Alberto Lemos (73-9966-8126), conhecido como Bila, da La Isla Tour, acompanha os turistas em lanchas ou escunas. “Elas aparecem em grupos de seis, oito, varia muito, há dias em que não aparece nenhuma”, explica ele. Os passeios custam R$ 100/pessoa para escuna ou lancha. A escuna tem capacidade para 32 pessoas e sai com mínimo de 10. Na lancha, com capacidade para 12 pessoas, a lotação mínima é de oito pessoas.

Caso durante duas horas e meia (todo o passeio dura cinco horas e meia), não for avistada nenhuma baleia, é cobrada a metade do preço. Mas isso nem sempre é assim: vale entrar num acordo com a operadora a ser contratada. É legal ver também as operadoras que têm parceria com os institutos de preservação, que fazem programas com os guias e condutores dos barcos e palestras para os turistas,

SEGURANÇA

Segundo as normas em vigor, o barco só pode ir até 100 metros do animal. Tem que deixar que a baleia se aproxime, nunca ir pra cima dela. O tempo de observação é de no máximo 30 minutos e é terminantemente proibido e perigoso tentar passar a mão no bicho ou mesmo nadar com ele. Se bem que só um louco tentaria uma coisa dessas. O melhor é ficar bem quieto, movimentando só os olhos e as máquinas de fotografar e não fazer barulho. Um conselho, não fique tão afoito para registrar cada movimento, senão você perderá a chance de observar melhor o que pode ser um momento único na sua vida.

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