Conheça a história do brasileiro está viajando o mundo há dez anos!

Rodrigo Guimarães de Souza. Como ele mesmo diz, um nome comum para um "cara" comum.

#SQN!!

Rodrigo já percorreu mais de 100 países nos últimos 10 anos, já foi soldado, instrutor de ski e snowboard, guia de mergulho, camareiro, estudante e milhares de outras coisas.

Aos 25 anos, ele percebeu que apesar de ter feito uma boa faculdade e ter um bom emprego, família e tudo que alguém acha que busca na vida, não estava feliz. Ele não vivia a vida que mais queria, e não tinha tempo de gastar o dinheiro que ganhava.

Juntou grana por dois anos, largou tudo e começou uma viagem que já dura uma década. Ele não pensa em voltar para o Brasil e construir uma vida estável tão cedo!

Conheça mais sobre a história do Rodrigo nesta entrevista que ele nos deu enquanto fazia as malas na Coréia, para viajar para o Japão e Taiwan.

 

Viajando o mundo

Rodrigo nasceu e cresceu em São Paulo. Formado em administração de empresas pela FAAP, trabalhou em um banco de investimentos e depois na Ambev. Aí, foi transferido para o interior do Maranhão e Piauí. "Estava trabalhando como um louco, quase casado e aí joguei tudo para o ar, comecei a viajar pelo mundo e morar em diferentes países", conta. Isto foi há quase 10 anos.

 Planejo Viajar – Por onde você andou nesta década?

Rodrigo servindo na Legião Estrangeira da França

Rodrigo servindo na Legião Estrangeira da França

Rodrigo – Primeiramente, servi na Legião Estrangeira na França (uma parte do exército francês que aceita estrangeiros). Durante esse período, fiz missões no Djibouti e Costa do Marfim. Terminando a Legião, comecei a viajar pelo mundo. Primeiro foi um grande mochilão pela Europa de 4 meses. Depois passei 6 meses nos EUA trabalhando em um albergue em Nashville. Em seguida, Chile por 4 meses, aprendendo espanhol e mochilando pelos centros de esqui.

Daí fui para a Austrália por 4 anos. O país virou a minha base, de onde fui várias vezes para Nova Zelândia e Sudeste Asiático (2 meses fazendo um Divemaster Trainee na Tailândia). Saindo de lá, fui para Suíça por 2 meses para tentar a sorte como instrutor. Depois passei 4 meses na Argentina, trabalhando em Las Leñas.

Fiquei na Suécia por um ano cursando faculdade e agora estou na Coréia do Sul fazendo intercâmbio como aluno da instituição sueca. Nesse meio tempo, viajo um pouco aqui e ali.

Bom, parte do nome do meu blog, Fora da Zona de Conforto, se deve ao fato de eu gostar de fazer coisas diferentes que me desafiem e me tirem do conforto. Então eu conto lá que também fui voluntário para as Olimpíadas de Inverno do Canadá, salva-vidas voluntário na Austrália, comprador misterioso e testei remédios também na Austrália. Para pagar as contas, já trabalhei em todas as coisas possíveis e imagináveis. Mesmo com 38, ainda me sinto com 18 anos!

 

Rodrigo como voluntário nas Olimpíadas de Inverno no Canadá

Rodrigo como voluntário nas Olimpíadas de Inverno no Canadá

 

PV –O que você está estudando na Suécia?

R – Estou fazendo Estudos de Conflito e Paz. A idéia é fazer um mestrado. Mas como a minha formação é outra, tenho que fazer alguns cursos básicos antes para depois aplicar para o mestrado.

 

 PV – De todas essas experiências, alguma é especial?

R – Sem dúvida, a Legião é algo completamente único no mundo. Te coloca no seu limite físico, mental. Fora que lá não existe "não quero mais". Então basicamente, depois da Legião, tudo era meio que fichinha.

Ser instrutor de esportes de neve também foi algo especial pois levou MUITO tempo de preparação, organização e trabalho, mas eu consegui e aproveitei cada segundo.

Tenho feito muita coisa legal nessa vida e visitado lugares incríveis! Presto atenção para não deixar de dar valor ao presente e pequenas coisas. Outro dia, estava correndo perto de uma fortaleza antiga aqui na Coréia e o sol estava se pondo. Parei para apreciar o momento e lembrar o quanto sou privilegiado de estar ali, em um país seguro, sem problemas, sabendo que a vida não é sempre tão tranquila assim.

 

PV – Conta mais sobre a experiência de ser instrutor de ski.

Trabalhando como Instrutor de ski na Argentina

Viajando o mundo, Rodrigo trabalhou como instrutor de ski na Argentina, na estação de Las Leñas: grande experiência 

R– Primeiro fiz um curso de instrutor de snowboard na Nova Zelândia e no ano seguinte fui contratado como instrutor de ski na Austrália (o oposto). E durante a temporada, fiz os exames para instrutor de ski, então agora tenho nível II nas duas modalidades.

Na Suíça, fiquei só 45 dias ajudando outros instrutores pois não consegui o visto de trabalho. Na Argentina, fui contratado em Las Leñas por uma temporada. Grande experiência!

PV – E como guia de mergulho?

R –Mesmo antes de terminar o meu curso de Divemaster na Tailândia, a escola onde eu era trainee me pediu para guiar alguns clientes e já comecei a ser pago mesmo antes de terminar o curso. Foi na Ilha de Koh Tao.

Trainee de Diver Master (Guia de Mergulho) na Tailândia

Trainee de diver master (guia de mergulho) na Tailândia

 

PV –Fale-nos um pouco sobre o seu blog "Fora da Zona de Conforto".

R – Antes de começar na Suécia, passei 2 meses na Sérvia e dois meses na Moldávia, criando o meu blog e trabalhando nele. Escolhi esses países porque eram os mais baratos da Europa.

Comecei a aprender como fazer um blog e começar a montá-lo em agosto de 2013. Trabalhei duro aprendendo e criando toda a estrutura até dezembro, mas aí parei por um ano por causa dos estudos na Suécia.

Acho que tenho muita experiência para passar para galera que está querendo viajar. Só que falta tempo. O que me deu a ideia e me motivou, foi quando eu conheci um brasileiro na Argentina que nunca tinha tido a oportunidade de viajar e estava mochilando pela primeira vez, cheio de dúvidas. E eu com um monte de experiências guardadas só para mim, vi que podia ajudar muita gente na mesma situação. Por isso que 90% dos artigos do blog são tipo: "Como fazer algo".

 

PV –Você estava vivendo no Brasil quando decidiu largar tudo e se jogar nesta aventura. Por que tomou a decisão?

R – Estava trabalhando 12 horas por dia, inclusive todos os sábados em uma empresa que eu odiava, mas precisava da grana para seguir os meus sonhos de viajar pelo mundo. Para quem cresceu em SP, morar no interior do Maranhão era difícil porque tinha pouquíssimas opções de entretenimento.

Além disso, estava morando com a minha namorada que me pressionava muito para casar e eu me achava jovem demais para assumir o compromisso naquele momento. Estava levando a vida que eu mais temia: focada em trabalho, preso a um mundinho do qual eu não pertencia.

Esperei até juntar um pouco de dinheiro e fui seguir os meus sonhos e viver no mundo, não apenas em uma cidade ou país. E acima de tudo, queria me aventurar, não apenas viver na rotina por vários anos seguidos. Apesar de ter tido alguns momentos um pouco mais difíceis, não me arrependo de absolutamente nada. No "sobre mim" do blog eu conto isso bem.

 

PV – E o que você acha dessa onda agora de pessoas pedindo demissão para viajar?

R – Eu acho o máximo. Adoro quando as pessoas mudam os seus destinos. Quando têm coragem de sair da zona do conforto para tentar uma vida melhor e mais feliz. O único conselho que eu dou é: tenham um plano B, e sejam organizados e responsáveis financeiramente. Tenham alguma ideia do que pretendem viver no futuro.

Eu mesmo sempre me preocupei com dinheiro mas às vezes temos que nos adaptar. Ano passado tive que trabalhar de camareiro em um hotel na Suécia. Trabalho horrível, ainda mais para um cara de 38 anos, formado, e que trabalhou em banco de investimentos. Mas esse é o preço que se paga pela liberdade de viajar pelo mundo e fazer várias atividades diferentes. Então, a não ser que você tenha dinheiro sobrando, caso peça demissão para viajar o mundo, esteja preparado(a) para as dificuldades. Mas tem todo o meu apoio. Só se vive uma vez!

PV– Por que você acha que compensa esta vida "instável" se existem todas essas dificuldades?

R – Liberdade!! É uma das coisas que eu dou mais valor na vida. Quando trabalhava em escritório, não tinha quase nenhuma. Eu amava viajar e simplesmente não conseguia fazer o que mais gostava. Qual o sentido de trabalhar para ganhar tanto dinheiro se você não consegue gastá-lo do jeito que gosta?

Sou muito pouco apegado a bens materiais, então não me incomoda não ter casa, carro, TV grande, o último celular, roupa de marca etc. Então, eu não sofro. Mas sei que tem gente que gosta de conforto, aí fica mais difícil.

Além disso, essa vida instável te ensinar muito, te deixar mais responsável por si próprio, senhor do teu destino. Viajar vai te abrir a cabeça, te tornar uma pessoa mais tolerante ao diferente, expandir teus conhecimentos e ver que o mundo é muito maior do que apenas a sua cidade ou país.

E, para finalizar: Não significa que se você pedir demissão e sair no mundo, nunca mais vai poder voltar atrás. Tem gente que não gosta dessa vida instável e volta à vida antiga. Mas pelo menos tentou. Como já ouvi alguém dizer, é sempre melhor tentar e falhar do que nunca tentar (é só estar preparado, com o seu plano B).

Gostou da história do Rodrigo?? Deixe um comentário para ele!

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